quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Uma ficção envolvendo o Plínio, o aluno que nunca apareceu na sala de aula - Texto que reúne, com coerência, as frases aleatórias dos estudantes - primeiro trabalho do ano da disciplina Produção Oral e Escrita

Primeiro dia de aula do 2º Período do curso de Publicidade. A professora Helena Borges dividiu a sala em duas filas. Para cada uma delas, foi dada uma folha em que nós, os estudantes, teríamos que escrever a primeira frase que nos viesse à cabeça. Olha só o que surgiu:

Até que a saudade bateu, dessa correria, dessa loucura (NATHASHA OLIVEIRA PUGLIELLI)



É melhor abrir mão da segurança e desfrutar da liberdade? (MAURO CÉSAR BARBOSA JÚNIOR)


Que a minha vontade de viver seja tão grande quanto as novidades que o mundo venha a me trazer (RENATO LEITE MINGOTE)


O início do ano letivo é sempre bom; no decorrer dele é que descobrimos como é cansativo e tenso (VICTOR STEFANE FERREIRA SANTOS) 


O mundo é um peteco (GABRIELA LEPRI LONGAS)


Se não pode detê-los, junte-se a eles (THALES VILELA NUNES)


Feito isso, teríamos que reunir, de forma coerente, tais frases em um texto. Eu e a Nathasha tentamos ser criativos. Para isso, escrevemos uma ficção envolvendo o Plínio, o aluno misterioso que nunca apareceu na sala. O resultado foi este, espero que curtam o texto:


 Notas acadêmicas

      O início do ano letivo é sempre bom; no decorrer dele é que descobrimos como é cansativo e tenso. O semestre passado não foi diferente: começamos empolgados e, com o progressivo acúmulo de trabalhos acadêmicos, o estresse começou a tomar conta de todos. Como dizem, o mundo é um peteco, e era exatamente essa a percepção que tínhamos quando se escasseava o nosso tempo livre.
       Nas férias, porém, pudemos descansar. Nem passavam pela nossa cabeça os assuntos da universidade. Até que a saudade bateu, dessa correria, dessa loucura. Sentimos falta até das horas em que, desesperados com as datas de entrega dos trabalhos, tivemos que criar soluções inusitadas para a finalização dos mesmos. Pensando assim, tudo tem seu lado positivo, inclusive os momentos de estresse: se não pode detê-los, junte-se a eles; aceite-os e os encare como um estímulo para retirar criativamente aquela pedra do sapato.
        Deu-se início, agora, ao segundo período do nosso curso universitário. As expectativas são grandes; todos nós estamos ansiosos para reengrenarmos no sistema educacional. É ótimo reencontrar os amigos –e o tempo nunca parece suficientemente longo para colocarmos as conversas em dia.
       Infelizmente, a nossa sala não está completa. Alguns dos nossos colegas do primeiro período não deram prosseguimento ao curso. Esse é o caso do Plínio, que se mudou para São Paulo logo no início das férias. O Plínio andava meio cabisbaixo, reclamando de tédio o tempo inteiro. Ele queria vivenciar experiências novas, mas sua família reprimia o espírito aventureiro com que nascera. Vivia falando: “Que a minha vontade de viver seja tão grande quanto as novidades que o mundo venha a me trazer”.
          Assim foi feito. Plínio prestou vestibular para uma universidade pública em São Paulo, foi aprovado e conseguiu uma bolsa-moradia da própria faculdade, além de ter conseguido um emprego. Dessa forma, mesmo sem ter o apoio integral de sua família, ele vai conseguir se manter em uma cidade longe daqui.
         Ele tem deixado mensagens nas redes sociais informando que está bem. Nunca teve tanta liberdade em sua vida. Sai de casa na hora que quiser, volta na hora que quiser, vai a festas, vive intensamente. No entanto, sente um pouco de insegurança. Tem a sensação de que algo ruim pode lhe acontecer a qualquer momento.
          Vivendo com a família, Plínio via sua liberdade cerceada, mas vivia em plena segurança. Agora, ele passou a questionar o sentido da sua decisão de mudar de cidade. É melhor abrir mão da segurança e desfrutar da liberdade?
          Talvez Plínio ainda não tenha superado a necessidade de uma figura paterna em sua vida psíquica. Talvez seja por isso que ele ainda não saiba responder a essa pergunta.

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